Descobrindo triângulos com a fórmula de Herão

A fórmula de Herão

Para determinarmos a Área de um Triângulo temos de conhecer a sua altura e o comprimento da base, tendo em conta a fórmula que nos é apresentada ao longo dos nossos estudos.

Quando o triângulo é retângulo, o processo torna-se mais simples, uma vez que uma das alturas é o comprimento de um dos catetos e, nesse caso, a medida da base corresponderá ao comprimento do outro cateto. Quando o triângulo não é retângulo, já não é tão fácil determinar uma das suas alturas.

Herão foi um matemático da Grécia Clássica. Ele encontrou uma fórmula que permite determinar a área de um triângulo sabendo apenas os comprimentos dos seus lados. Essa fórmula ficou conhecida pela "Fórmula de Herão".

A fórmula é a seguinte:

Na qual a letra s representa metade do perímetro (soma dos comprimentos dos lados) e cada uma das letras a, b, c representa o comprimento de cada um dos lados do triângulo.
Em baixo, podemos ver um exemplo de aplicação da fórmula de Herão.

Créditos: José Carvalho

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Selos com matemáticos famosos (Cauchy)

Cauchy
Augustin Louis Cauchy pioneiro na análise e na teoria de permutação de grupos. Também investigou a convergência e a divergência das séries infinitas, equações diferenciais, determinantes, probabilidade e física matemática.


Cauchy, trabalhou como engenheiro militar e em 1810 chegou a Cherbourg a trabalhar junto a Napoleão na invasão a Inglaterra. Em 1813 voltou a Paris e logo foi persuadido por Laplace e Lagrange a converter-se num devoto das matemáticas.
Ele ajudou ocupando diversos postos na Faculdade de Ciência de Paris, O Colégio de França e A Escola Politécnica. Em 1814 ele publicou sobre o integral definido que chegou a ser a base da teoria das funções completas.
Graças a Cauchy, a análise infinitesimal adquire bases sólidas.
No prefácio de sua Analyse Algébrique, de 1822, escreve :
"Tratei de dar aos métodos todo o rigor que se exige em geometria, sem acudir jamais aos argumentos tomados da generalidade da álgebra. Tais argumentos, ainda que bastante admitidos, sobre todo o passar das séries convergentes às divergentes, das quantidades reais às imaginárias, ocorre-me que não devem ser considerados sem como induções, adequadas às vezes para fazer pressentir a exactidão e a verdade, mas que não estão de acordo com a exactidão tão precisa das ciências matemáticas. Além do mais, deve assinalar-se que elas tendem a atribuir às fórmulas algébricas uma extensão ilimitada, em tanto que na realidade, a maior parte destas fórmulas só subsistem debaixo de certas condições e para determinados valores das quantidades que encerram. Determinando essas condições e esses valores, fixando de uma maneira precisa o sentido das notações que utilizo, todo o vago desaparece".
Com Cauchy precisam-se os conceitos de função, de limite e de continuidade na forma actual ou quase actual, tomando o conceito de limite como ponto de partida da análise e eliminando da ideia de função toda a referência a uma expressão formal, algébrica ou não, para fundá-la sobre a noção de correspondência. Os conceitos aritméticos outorgam agora rigor aos fundamentos da análise, até então apoiados numa intuição geométrica que ficará eliminada, em especial quando mais tarde sofre um rude golpe ao demonstrar-se que há funções contínuas sem derivadas, quer dizer: curvas sem tangentes.
Cauchy volta a tomar o conceito tradicional de integral, como soma e não como operação inversa. Também introduziu o rigor no tratamento das séries fixando critérios de convergência e eliminando, algo apesar seu, as séries divergentes, pois disse "Vi-me obrigado a admitir diversas proposições que pareceram algo duras; por exemplo, que uma série divergente carece de soma".
Numerosos términos matemáticos levam seu nome: o teorema integral de Cauchy, a teoria das funções completas, as equações de Cauchy-Riemann e Sequências de Cauchy.
Cauchy, produziu 789 escritos, mas foi desaprovado pela maioria de seus colegas. Ele mostrou uma obstinada rectidão a si mesmo e um agressivo fanatismo religioso. Como um apaixonado do realismo passou algum tempo em Itália depois de resolver tomar um juramento de lealdade. Deixou Paris depois da Revolução de 1830 e depois de um curto tempo na Suíça aceitou uma oferta do Rei de Piedmont para realizar uma cátedra em Turim donde esteve até 1832. Em 1833 deslocou-se de Turim a Praga com a intenção de acompanhar Charles X e ser o tutor de seu filho.
Cauchy voltou a Paris em 1838 e retomou seu cargo na academia mas não na sua posição de professor por haver resolvido fazer o juramento de lealdade. Quando Louis Philippe foi destronado em 1848 Cauchy retomou sua cátedra em Sorbonne. Ele ajudou nas pós-graduações até à hora da sua morte.


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Biografia e obras de Victor Poncelet

Poncelet
Jean Victor Poncelet nasceu em Metz, no ano de 1788.
Tendo se destacado como estudante quando cursava a Escola Politécnica de Metz, Poncelet tornou-se conhecido como excelente professor de Matemática sendo convidado a servir como engenheiro no exército napoleônico.

Em 18l2, Poncelet lutou com as forças francesas na Rússia, caindo prisioneiro. Durante Os dezoito meses de cativeiro, começou a escrever um de seus trabalhos mais notáveis: a Geometria Projetiva, teoria em que Desargues e Pascal tinham dados os primeiros passos no século XVII.
Em 1814, Poncelet retornou à França e, a partir de 1815, começou a publicar suas criações nos "Anais da Matemática", Seus trabalhos iniciais versavam sobre os polígonos inscritos e circunscritos a uma cônica.
O grande trabalho de Poncelet, "Ensaio sobre as projetivas das seções cônicas só apareceu em 1820 e foi melhorado e reproduzido dois anos depois como "Tratado das propriedades projetivas das figuras". Nestas obras, Poncelet observou que certas propriedades das figuras se mantém constantes, quando as figuras sofrem deformações por projeções.
Poncelet foi ainda o criador da teoria polaridade e do princípio da dualidade, base sobre a qual outros matemáticos como De Morgan, Whitehead e Russel desenvolveram posteriormente seus trabalhos.
Finalmente, Poncelet atingiu o máximo de sua criação quando estabeleceu o conceito de razão dupla ou anarmônica. Com base nesta descoberta, posteriormente, Klein conseguiu unificar as geometrias numa só, criando a pan-geometria.
Poncelet faleceu em 1867 na mesma cidade onde nascera.

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Selos com Matemáticos Famosos (Buffon)

Selos com Matemáticos Famosos

Buffon

Foi um cientista muito importante na área da História natural, mas também foi um muito interessado na Matemática o que o levou a estudar esta ciência. As suas experiências causaram muita discussão sobre probabilidades.
Com 20 anos de idade descobriu o teorema binomial.
Correspondeu-se com Cramer sobre máquinas, geometria, probabilidades, teoria de números, equação diferencial e cálculo integral.
No seu primeiro trabalho Sur le jeu de franc-carreau, sobre a teoria das probabilidades, introduziu diferenciais e cálculos integrais. Depois escreveu Théorie de la terre e veio a ser um importante cientista de História natural com grande influência neste campo.
A sua fama matemática vem da experiência que realizou sobre a probabilidade de palitos que atirados para trás do seu ombro para um chão de azulejos, cruzarem as linhas dos azulejos. A discussão surgida entre os matemáticos a propósito desta experiência ajudou a compreender o conceito de probabilidade.


Fonte:http://alexandramat.blogspot.com/

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Selos com Matemáticos Famosos (D'Alembert)

Selos com Matemáticos Famosos

D'Alembert

D’Alembert cresceu em Paris, no ano de 1741 foi admitido na Academia de Ciências de Paris, onde trabalhou pelo resto de sua vida. Foi amigo de Voltaire. Ajudou a resolver a controvérsia em física sobre a conservação da energia cinética melhorando a definição de Newton da força em seu "Tratado de Dinâmica" (1742), que articula o princípio da mecânica de D’Alembert. No ano 1744 aplicou os resultados obtidos no equilíbrio e movimentos de fluidos. Foi pioneiro no estudo de equações diferenciais e pioneiro no uso delas na física. Foi um dos primeiros a compreender a importância das funções e neste artigo definiu a derivada de uma função como o limite dos quocientes dos incrementos. Na realidade escreveu a maior parte dos artigos matemáticos num trabalho, volume 28.
D’Alembert foi quem mais se aproximou de uma definição precisa de limite e de derivada. Mas na realidade toda a dúvida se desvanecia perante o êxito das suas aplicações, de maneira que o cálculo infinitesimal, mais que um ramo da Matemática, se convertia numa espécie de donzela da ciência natural, num auxiliar muito valioso. D’Alembert também estudou hidrodinâmica, mecânica dos corpos, problemas de Astronomia e circulações atmosféricas.
D’Alembert teve um grande número de ofertas na vida. Teve uma oferta de Frederick II para ir a Prússia como presidente da Academia de Berlim. Também teve um convite de Catherine II para ir a Rússia como tutor de seu filho.

fonte:http://www.alexandramat.blogspot.com/


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Cronologia da historia da matematica


CRONOLOGIA DA HISTÒRIA DA MATEMÁTICA

2138 a.C. Os chineses Sol Lusse Yong e Rêve Lex Yong inventam o Tangram (Software).

2000 a.C. Os primeiros Sistemas de Numeração de base 60 surgem nas civilizações Sumérica e Babilônica

1700 a.C. Foram descobertas referências a certas equações do 2º grau para resolver problemas numéricos.

624-546 a.C. Vida do "primeiro matemático", Thales de Mileto cujo lema era "a água é o princípio de todas as coisas". Entre outros, demonstrou que “um ângulo inscrito numa semicircunferência é reto”, "uma circunferência é bissectada pelo seu diâmetro” e o já famoso Teoremas de Thales, "se dois triângulos são tais que dois ângulos e o lado por eles compreendido de um deles são geometricamente iguais respectivamente a dois ângulos; e ao lado por eles compreendido no outro, então os triângulos são geometricamente iguais".

Para Thales de Mileto, a questão não era "o que sabemos", mas “como sabemos”. (Aristóteles)

Séc. VI a.C. Vida e obra do "pai da Matemática", Pitágoras de Samos, que em Crotona fundou a escola pitagórica. Foi Pitágoras quem primeiro demonstrou o teorema "em todo o triângulo retângulo o quadrado construído sobre a hipotenusa é equivalente à reunião dos quadrados construídos sobre os catetos", teorema esse que os egípcios e hindus já usavam.

Séc. V a.C. Hipócrates de Quios foi o primeiro matemático a usar letras nas figuras geométricas.

480 a.C. Paradoxos de Zenão de Eléia: de Aquiles e da tartaruga, da dicotomia, da flecha e de estádio [só esclarecidos 24 séculos mais tarde por Cauchy].

450 a.C. Demócrito desenvolveu a sua teoria atômica sobre o universo no qual incluiu o conceito, pouco usado, de infinito.

426-348 a.C. Platão, discípulo de Sócrates, formulou a filosofia das formas ideais, que influencia a atual filosofia platonista da Matemática.

348-322 a.C. Vida e obra de Aristóteles, autor do Organon [trabalho fundamental para a lógica dedutiva tradicional].

Séc. IV a.C. Euclides de Alexandria estabelece os fundamentos da geometria clássica [na altura método euclidiano, hoje método axiomático], válidos até hoje, com os seus 13 livros, “Os Elementos”, talvez o conjunto de livros mais editado [além da Bíblia] em diversas línguas.

310-230 a.C. Aristarco de Samos, astrônomo e matemático grego, é o primeiro homem a afirmar que a Terra gira em torno do Sol, ao mesmo tempo em que gira em torno de si mesma.

287-212 a.C. Arquimedes de Siracusa, considerado o maior matemático grego [além de um grande físico]lém da Bíblia)ISTÓ, domina o panorama dos números ao prolongar a numeração grega até atingir números muito grandes, o que põe em prática calculando o número de grãos de areia que existem no universo, e afirmou que o número PI estaria entre 3,14084 e 3,14285. Além disso, descobriu métodos gerais para determinar áreas de figuras planas curvilíneas e volumes de sólidos limitados por superfícies curvas, inventou um sistema de numeração permitindo escrever ou enumerar números tão grandes quanto se quisesse, foi o percussor do cálculo diferencial, etc.
242-170 a.C. "O Ggrande Geômetra", foi o epíteto de Apolônio de Perga atribuído pelos seus contemporâneos. A sua grande obra composta de  8 livros ‘As cônicas’. Além disso, escreveu ‘Sobre dividir em uma razão’, ‘Sobre cortar uma área’, ‘Sobre tangências e planos’. Ficou famoso o Problema de Apolônio ‘Sobre lugares (geométricos ou O Problema dos Contatos): “Dados 3 círculos quaisquer, traçar um quarto de círculo que seja tangente aos 3 círculos dados”.

Os assuntos são daqueles que merecem ser dignos de estudo por si mesmo. (Apolônio)

230 a.C. Medindo com o goniômetro as amplitudes dos ângulos formados pelos raios solares com a vertical, no mesmo instante, em Siena e em Alexandria, Erastóstenes de Cirene (276-197 a.C.) mediu pela 1ª vez de maneira rigorosa o comprimento da circunferência terrestre.

Séc. I Documentos mostram que os chineses já sabiam resolver equações e sistemas de equações utilizando o ábaco.

Séc. III Obra Aritmética composta de 6 volumes pelo 'pai da álgebra', Diofanto de Alexandria (250?) obra essa que fala das soluções de equações algébricas e da teoria dos números.

Séc. IV/IX Os Hindus introduzem o zero (a quem chamam Sunya, isto é, 'vazio') e a numeração decimal no seu sistema de numeração. Constitui a base do conceito atual de número e, por conseguinte, da álgebra e de todas as matemáticas modernas.

628 DC. O matemático indiano Brahmagupta (598-665) escreve, em verso, a obra Braham-sphutasdhânta, tratado sobre o sistema astronômico, mas com dois capítulos dedicados à Matemática. A sua grande contribuição geométrica foi à generalização da fórmula de Heron de Alexandria (séc. I/II a.C.).

Séc. X/XI Estes dois séculos são dominados pelos matemáticos muçulmanos. Destacam-se o algebrista Abu Kamil e o matemático Al Uqlidisi, que se dedicou ao estudo das frações decimais.

Séc. XII O matemático indiano Bhaskara (1114-1185) estabelece a fórmula de nCp. Foi este matemático quem falou, pela primeira vez, do infinito como sendo o inverso do zero.

1202 O matemático italiano Leonardo de Pisa (1180-1250), conhecido como Fibonacci (o coelheiro), estabelece as bases da álgebra ocidental, ao fundir os conhecimentos sobre matemáticas muçulmanas e indianas no seu Líber Abaci [ livro do ábaco ], mas que afinal tratou-se de um livro essencialmente sobre métodos algébricos indo-árabe.

1276 Torna-se Papa João XXI o matemático (além de médico e diplomata) português Pedro Hispano (1216-1277), percussor da moderna lógica matemática no seu compêndio “Summulae Logicales”, livro escolar obrigatório de todos os centros europeus durante mais de 3 séculos (a 28 de Março de 2000, o sarcófago que alberga os seus restos mortais encontrou uma sepultura condigna com a inauguração do mausoléu, na catedral de Viterbo, em Itália).
A filosofia hispânica pagará abundantemente as vigílias de quem a puder estudar e compreender. (Leibniz)

Séc. XVI - Vida e obra de Nicolau Copérnico (1473-1543) que propôs o sistema heliocêntrico do mundo planetário no tratado “De Revolutionibus Orbium Coelestium”, célebre no mundo da astronomia e com 3 capítulos dedicados à trigonometria.

1534 - Niccolo Fontana (Tartaglia, 1499-1557) descobre uma regra para determinar as soluções de uma equação cúbica do gênero x3+px=q [ divulgada por Cardano (1501-1576)). Além disso, Tartaglia escreveu o Triângulo Numérico de Tartaglia I e II [ também designado de Pascal ].

1572 - Obra “L’Álgebra” escrita por Rafaël Bombelli (1526? -1573?) onde que, pela primeira vez aparecem os números complexos na resolução das equações do tipo x3+px=q (ou seja, foi o estudo das equações do 3º grau, e não o das equações do 2º grau, que ‘obrigou’ a introduzir os números imaginários. Primeiro processo arquivado pelo procurador Cunha Rodrigues)

1569 - Publicações do Livro de “Algebra en Arithmetica y Geometria” de Pedro Nunes (1502-1578), a sua obra mais metódica e rigorosa.

1582 - O holandês Simon Stevin escreve a primeira obra européia dedicada à teoria geral das frações decimais. Nela dá o passo definitivo para a atual notação dos decimais. Escreve, por exemplo, 679(0)5(1)6(2), onde hoje colocaríamos 679,56. Dez anos depois, o suiço Jost Bürgi simplifica esta notação e substitui-a por outra mais próxima da atual: 679° 56.

1592 - O italiano Magini troca o símbolo (°) por um ponto  (679.56) e inventa o sistema de notação de decimais que hoje se aplica nos países anglo-saxônicos. Por fim, a representação com vírgula, que virá a ser utilizada nos restantes países, foi idealizada por Snellius, em 1604.

Séc. XVI - Nos finais deste século, Ludolph Van Ceulen encontrou a expressão de p com 35 casas decimais. Para isso, teve de dedicar toda a sua vida ao cálculo, que o levou a utilizar um polígono de 1.073.741.284 lados. 
O resultado foi PI =3,1415926535979323846264383327950288, número que foi gravado no seu túmulo, em reconhecimento do esforço.

1605 - Johannes Kepler (1571-1630) descobre que a órbita de Marte é elíptica.
“Onde existe matéria, existe geometria.” (Kepler)

1614 - John Napier; (1550-1617), um escocês mais conhecido por Neper, inventa os Logaritmos Naturais ou Neperianos.

1632 - Obra de Galileu Galilei (1564-1642), Os dois principais sistemas, em que adota o modelo do sistema heliocêntrico proposto por Copérnico. Em As duas novas ciências, mostra propriedades dos infinitamente grandes e dos infinitésimos.

1637 - Surge a geometria analítica de René Descartes (1596-1650) Foi ele o criador da representação algébrica moderna, onde as incógnitas são simbolizadas pelas últimas letras do alfabeto (x, y e z) e os dados pelas primeiras (a, b, c,...).

1650 - Pietro Mengoli (1625-1686) escreve “Novae quadraturae arithmeticae”, obra sobre séries infinitas.

1654 - Pierrede Fermat; (1601-1665), matemático nos tempos livres. (Deixou trabalhos importantes sobre a teoria dos números e foi fundador da geometria analítica juntamente com Descartes) e Blaise Pascal (1623-1662, matemático e físico, inventor da primeira máquina de calcular e autor de textos célebres filosófico-religiosos) iniciam o estudo do que viria a ser o cálculo de probabilidades: com a troca entre os dois de 8 cartas com as reflexões sobre jogos de azar.
1655 - Publicação do livro “Aritmética Infinitorum” do matemático inglês John Wallis (1616-1703), primeiro a usar o símbolo de infinito ().

1665 - Surge um manuscrito de Isaac Newton (1642-1727), grande matemático e físico inglês, enunciando a fórmula do desenvolvimento do binômio de expoente qualquer e lançando os primeiros fundamentos do seu método dos fluentes e das fluxões. Em 1689, o mundo conhece a sua grande obra “Philosophiae naturalis Principia Mathematica” onde é anunciada a "Lei da atração universal" (e se definem os princípios de mecânica racional que haverão de reger toda a Física dos séculos XVIII e XIX, até ao advento da Relatividade).

“Se consegui ver mais longe do que outros, foi porque, me ergui sobre os ombros de gigantes.” ( Newton)

1684 Wilfred Leibniz (1646-1716) consagra-se como o co-criador ( juntamente com Newton) do cálculo diferencial e integral (através da sua obra “Nova methodus pro maximis et minimis” ).

1690 Sai o Traité d'Algébre, obra que inclui o Teorema de Rolle, por Michel Rolle (1652-1719).

1713 - Publicação da obra “Ars conjectandi” (obra extensa sobre a teoria das probabilidades) de Jacques Bernoulli (1654-1705).

1730 Abraham De Moivre (1667-1754) apresenta a obra “Miscellanea Analytica” dedicado ao estudo da trigonometria associado aos números complexos e às fórmulas de Moivre.

1736-1813 Vida e obra de Lagrange, percussor da utilização sistemática da derivada e do seu sinal no estudo de uma função e na construção do respectivo gráfico.

1737 Lambert demonstra que PI é um número irracional.

1739 O símbolo "e" é usado (para designar o número de Neper) pela primeira vez por um dos mais férteis escritores matemáticos de sempre, o suíço Leonhard Euller (1707-1783). Este que desenvolveu diversos temas: Análise e Cálculo Diferencial, Cálculo Integral, Cálculo das Variações, Movimento dos Planetas e da Lua (além de Geometria, Topologia, Mecânica, Física, Astronomia e Ciências Naturais).

1754 Torna-se secretário perpétuo da "Academia das Ciências" o mais influente cientista francês, JeanLe R. D'Alembert (1717-1783).

1764. Publicado o Teorema de Bayes devido a Thomas Bayes (1702-1761) matemático e teólogo inglês.

1769. Nasce o matemático amador autor do Teorema de Napoleão, Napoleão Bonaparte.

1777 O matemático e naturalista francês Georges Leclerc [conde de Buffon, 1707-1788 ] acrescentou à sua obra de 36 volumes, História Natural, um suplemento sobre probabilidades onde resolve o curioso "problema da agulha".
Agulhas de Buffon

1781-1840 Vida e obra do matemático francês S. Denis Poisson (1781-1840) que estudou a distribuição de probabilidade que tem o seu nome.

1782. Começa a ser impresso o livro “Principios Mathematicos” de José Anastácio da Cunha (1744-1787).

1804. Dissertação publicada debaixo do título “Sopra la determinazione delle radice nelle equazioni numeriche di qualunque”, grado por Paolo Ruffini (1765-1822).

1806. O suíço Jean-Robert Argand (1768-1822) cria a representação geométrica dos números complexos [embora isso já tivesse sido feito pelo esquecido topógrafo norueguês Caspar Wessel, 1745-181].

1807-1822 Jean Joseph Fourier (1768-1830) estuda as séries trigonométricas com o seu nome, que permitirão uma grande evolução na física posterior.

1809 É publicada o primeiro livro sobre geometria diferencial, “Application d'analyse à la géometrie”, obra do francês Gaspar Monge (1746-1818), pai da geometria descritiva.

(1777-1855) Obra Teoria do movimento dos corpos celestes por Karl Fredrich Gauss onde surge a lei normal, a propósito dos erros nas observações astronômicas, e a sua curva em forma de sino. Gauss foi um matemático de grande criatividade: foi o fundador da Estatística Matemática e deixou uma obra muito diversificada, desde o Teorema fundamental da álgebra ao Movimento dos Corpos Celestes; desde a geometria hiperbólica à estatística, passando por Geodésica, números complexos e séries.

“A Matemática é a rainha das ciências e a Aritmética é rainha da Matemática.” (Gauss)

1812. Pierre Simon de Laplace (1749-1827), matemático membro da Academia de Ciências de Paris (conhecido como o Newton francês), publica a obra Teoria Analítica das Probabilidades (já havia publicado anteriormente, o Tratado de Mecânica Celeste).

1814. Augustin Louis Cauchy (1789-1857) consegue finalmente edificar a análise matemática sobre uma base racional tratando sistematicamente os infinitésimos como "variáveis tendentes para zero" e dando uma definição lógica e rigorosa do conceito de "Limite".

1822. Obra “Traité des Propriétés Projectives” do francês Jean Victor Poncelet (1788-1867).

1824 Niels Henrik Abel (1802-1829) publica, num artigo, a prova de que se o grau de uma equação é maior que quatro; e não existe uma fórmula geral em função de seus coeficientes para achar suas raízes (Teorema de Abel-Ruffini).

1829 O prussiano Carl G. J. Jacobi (1804-1851) usa pela primeira vez o termo "jacobiano" para designar um determinante especial análogo para funções de várias variáveis, do quociente diferencial de uma função de uma variável.

1829-1859 Nascem às geometrias não-euclidianas, através dos estudos de Nicolai Lobatchewski (1793-1856), János Bolyai (1802-1860) e Georg F.B. Riemann (1826-1866).

1830. O francês Evariste Galois (1811-1832) cria a teoria de grupos, a base da matemática moderna.
- Giusto Bellavitis (1803-1880), professor na Universidade de Pádua, formaliza o cálculo vetorial.
- Demonstração do Teorema de Bolyai-Gerwien, de Farkas Bolyai e P. Gerwien.

1834. Na obra “Teoria das Funções”, Bernhard Bolzano (1781-1848) publica um lema que estabelece a existência de um ínfimo limite superior para um conjunto fechado de números reais [mais tarde conhecido como Teorema de Bolzano-Weierstrass].

1844. Obra Teoria da Extensão de Hermann Grassmann (1809-1877), matemático alemão ligado ao desenvolvimento do cálculo vetorial. Na sua “Teoria das Correntes e Marés, Grassmann definiu produto escalar de 2 vetores (a quem deu o nome de produto linear].

1854-1912- Vida e obra de um matemático produtivo: Jules Henri Poincaré  [ mais de 500 obras sobre diversos campos da Matemática e Física].

1858 O advogado inglês Arthur Cayley (1821-1895) inventa o cálculo matricial.
- É descoberto o que ficou conhecido por “Tira de Möbius” graças a August Ferdinand Möbius (1790-1868) e, independentemente deste, a Johann Benedict Listing (1808-1882)

1865. Lançamento do livro Alice no país das maravilhas, por "Lewis Carrol", pseudônimo de Charles Lutwidge Dodgson (1832-1898).

1866. Obra “Logic of change” de John Venn (1834-1923) [diagramas de Venn]

1867 O descendente de uma família judia originária de Portugal, George Cantor (1845-1918), defende, na Universidade de Berlim, a tese de doutoramento consagrada às equações indeterminadas do 2º grau ax²+by²+cz²=0.

1872. Karl Weierstrass (1815-1897) dá o 1º exemplo de uma função contínua não derivável em ponto algum do seu domínio.

“Ninguém nos expulsará do paraíso que Cantor criou para nós.” (Hilbert)

1879. Primeira definição explícita de corpo numérico como sendo uma coleção de números que formam um grupo abeliano [comutativo] em relação à adição e multiplicação, no qual a multiplicação é distributiva em relação à adição por parte de Julius W. Richar Dedekind (1831-1916).

1881 Leopold Kronecker (1823-1891) prova que o conjunto dos números da forma a+b Ö 2 onde a e b são racionais, é um corpo.

1898. Nasce Maurits Cornelis Escher (1898-1972).

1899. David Hilbert (1862-1943) torna-se o principal representante de uma "escola axiomática" ao publicar Fundamentos da Geometria.

1902. Apresentação da tese de doutorado [revolucionária nas suas concepções] “Intégrale, longueur, aire”  por Henri Lebesgue (1875-1941).

- Final da obra “Leis Fundamentais da Aritmética” de Gottlob Frege (1848-1925).

“O lenço de Lebesgue, sacudindo da teoria dos planificáveis o pó enganador da continuidade das derivadas, é o símbolo de uma atitude científica, bandeira de bom combate.” (Vicente Gonçalves)

1904. Primeira referência à curva de Koch pelo matemático sueco Helge Von Koch (1870-1924).

1905. Publicada a Teoria da relatividade restrita, da autoria de Albert Einstein (1879-1955).

1930 O matemático russo Andrei Kolmogorov (1903-1987) constrói um sistema de axiomas para o estudo das probabilidades com base na teoria dos conjuntos e nas propriedades das freqüências relativas.

- A IBM constrói o MARK 1, uma calculadora eletromecânica totalmente automática, superada logo depois pelo ENIAC que era baseado em fluxo de elétrons através de tubos de vácuo, construído devido às necessidades militares da época sendo que um dos responsáveis pelo projeto foi John Von Neumann (1903-1957).

1939. Surge o primeiro volume de uma grande obra chamada Elementos de Matemática que ainda está em pleno desenvolvimento, tendo sido editado o seu trigésimo primeiro volume em 1965 o qual ainda não está completo na sua parte I, "As Estruturas Fundamentais da Análise" com os subtítulos: Teoria dos Conjuntos, Álgebra, Topologia Geral, Funções de Variável Real, Espaços Vetoriais Topológicos e Integração. Nas suas páginas há o nome do autor - Nicolas Bourbaki - um francês inexistente com nome grego. Bourbaki designa um grupo de matemáticos, quase todos franceses, que formam uma espécie de sociedade secreta, da qual André Weil (1906-1998) e Jean Dieudonné (1906-1992) são dois dos mais importantes líderes.

1941 É publicada nos números 5, 6 e 7 da "Gazeta de Matemática" a obra A Lógica Matemática e o ensino médio de José Sebastião e Silva (1914-1972).

1942. Publicado o livro de Bento de Jesus Caraça (1901-1948), “Conceitos Fundamentais de Matemática”.

1948. Curt Herzstark, da Áustria, inventa a primeira calculadora mecânica portátil, um modelo a que chamou "Curta".

- Pela primeira vez é executado um programa armazenado na memória de um computador (The Baby Machine ou Small Scale Experimental Machine) concebido por Tom Kilburn (1921-).
- Dirk Struik (1895-19xx) escreve A Concise History of Mathematics.

1949 O computador ENIAC calcula 2037 casas decimais do PI.

1975 A Sharp e a Hewlett Packard lançam as primeiras calculadoras programáveis de bolso, percussoras dos modelos atuais.

- Benoit Mandelbrot (1924-), um polaco da IBM (autor da obra The fractal geometry of nature), consolidou e reinterpretou os trabalhos dispersos de muitos matemáticos antecedentes para mostrar que é matematicamente possível definir uma dimensão fracionária.

1976 Paul Emil Appel (1855-1930) e W. Haken demonstraram, com a ajuda do computador, o Teorema das 4 cores (outrora conjectura, formulada em 1852).

1996 Usando um supercomputador da série Cray T90 calculou, no Silicon Graphics’s Cray Research, o maior número primo conhecido até àquela data: tem 378.632 algarismos e é igual a 21.257.787-1.

1997 O último Teorema de Fermat é completamente demonstrado por Andrew J. Wiles (1953-)

2002 Após 400 horas e um supercomputador, dez investigadores do Centro de Tecnologia da Informação da Universidade de Tóquio (coordenada por Yasuma Kanada) estabeleceram o valor de PI com 1.241 bilhões de algarismos.

2004 Um matemático amador da Califórnia, Josh Findley, usou um software para PC distribuído gratuitamente pela Great Internet Mersenne Prime Search para descobrir o maior número primo: 224.036.583-1 (ficou 38% aquém do necessário para ganhar os 100 mil dólares que a Electronic Frontier Foundation oferece a quem conseguir um primo de dez milhões de dígitos).


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Biografia de Platão de Atenas

matemática na veia

Platão de Atenas(cerca de 428/7-348/7 a.C.)


filósofo grego nascido em Atenas. foi profundo admirador de seu mestre Sócrates. Seu verdadeiro nome era Aristoclés, em uma homenagem ao seu avô. Platos significa largura, e é quase certo que seu apelido veio de sua constituição robusta, ombros e frontes largos, um porte físico forte e vigoroso, que o fez receber homenagens por seus feitos atléticos na juventude. A excelência na forma física era apreciada ao extremo na Grécia Antiga, e ocupa um lugar central na educação ideal conjeturada por Sócrates e seus companheiros no diálogo A República, juntamente com a música, na qual está inclusa a parte da literatura que não é poesia, banida. Os diálogos de Platão estão cheios de referência à competição dos jovens no atletismo. Deve-se lembrar também das grandes honras que eram conferidas aos vencedores dos Jogos Olímpicos, feitos em homenagem a Zeus. Porém, como veremos o corpo em Platão é subordinado à alma, mero invólucro aprisionante do qual o filósofo deve se libertar. É possível também, segundo alguns autores, que o apelido Platão tenha vindo da amplitude de seu estilo e pensamento, mas é menos provável, visto que Platão só escreve seus diálogos depois da morte de Sócrates, e segundo o próprio Platão narra, já era chamado assim por seus companheiros.
Aristócles, nosso futuro Platão, nasceu filho de Ariston e Perictione, ou Potone. Diógenes Laércio afirma que sua ascendência recua até o grande legislador Sólon, por parte de mãe. Vejamos sua genealogia. O irmão de Sólon, Diopides, era pai de Crítias. Não se deve confundir este Crítias com o sofista Crítias, filho de Calaiscros (ou Calescros), que educou Sócrates na juventude. Este parente de Platão era um dos Trinta Tiranos, grupo criado para governar Atenas em 404 a.C, após a vitória Espartana na Guerra de Peloponeso. O líder original desta comissão era Lisandro, que foi eleito por um pequeno grupo de cidadãos atenienses sob a pressão do exército espartano, e incumbido de realizar reformas e elaborar uma nova constituição. Mas o grupo de Colegiados, liderado por este Crítias, implantou um regime de terror, no qual mais de 1500 cidadãos morreram. A comissão dos 30 tiranos foi deposta um ano depois, em 403 a.C. O tirano Crítias era pai de Calaiscros, que por sua vez era pai de Gláucon.
E aqui já existe uma controvérsia, como alías, em quase tudo que se relaciona a esse filósofo. Alguns como C. F. Hermann, defendem que Glauco e Adimanto não são irmãos, mas tios de Platão. Diógenes fala deste tio de Platão, do irmão Glaucón e de mais um filósofos ateniense chamado Glaucón. Este Glaucón filho de Calaiscros era pai de Cármides e de Perictione - mãe de Platão. Cármides é um personagem de um diálogo de Platão que leva seu nome. O Crítias amigo de Sócrates é primo de Cármides, o que leva crer que Cármides é filho do irmão de Glaucón.
Platão tornou-se aprendiz de Sócrates por volta dos vinte anos. Descobre nele e sua dialética um prazer, e se torna um "amante da sabedoria". Acompanhou de perto todos os passos do julgamento de seu mestre, e o seu fim trágico marcou-o profundamente, deixando seqüelas para o resto de sua vida. Depois da morte por envenenamento de Sócrates, desiludiu-se de vez com a democracia ateniense e partiu em peregrinação pelo mundo. No trajeto de sua viagem que chega até nós, teria passado pelo Egito, onde ouviu da classe clerical que governava a terra, que a Grécia era um país infante, sem tradições nem uma cultura profunda. Foi a Esparta onde conheceu a cultura militar, e aos que meninos abandonavam seus pais para viverem uma vida dura nas montanhas, em exposição aos elementos naturais, e onde os governantes se misturavam com o povo, pois comiam e dormiam juntos. Passou também pela Itália, onde conheceu os pitagóricos e sua seita. Peregrinou durante doze anos, quando retornou a Atenas com quarenta anos. Especula-se que teria, antes disso, ido ainda até a Judéia e chegado às margens do Ganges, onde teria aprendido a meditação mística dos hindus. Deixou, escritos em forma de diálogos, feitos para o leitor comum de sua época. Ao que parece a obra chegou completa, ou quase, até nós. Isso se deve ao fato de Platão ser muito conhecido na sua época, por ter fundado em Atenas sua Academia, (assim chamada por estar no jardim do herói grego Academos) onde se ensinava Matemática, Ginástica e Filosofia. Ele valorizava muito a matemática, por ela nos dar a capacidade de raciocínio abstrato. Na entrada da de sua academia, havia a seguinte afirmação: "Que aqui não adentre quem não souber geometria". Também disse acerca de Deus: "Ele eternamente geometriza". Seriam trinta diálogos, dentre os quais os mais conhecidos: Apologia de Sócrates (onde torna público o discurso que Sócrates fez em seu julgamento); Hippias Maior (o que é o belo?); Eutifron (o que é a piedade?); Mênon (o que é a virtude? Pode ser ensinada?). Esses São os chamados diálogos aporéticos e maiêuticos, pois as questões propostas não são resolvidas e o leitor é convidado a prosseguir a pesquisa, após ter purificado seu falso saber. No segundo grupo temos Teeteto (o que é a ciência?); Fédon(sobre a imortalidade da alma, faz um relato dos últimos dias de Sócrates); Crátilo (explica a relação entre as coisas e os nomes que lhes são dados, são eles inatos ou dependem da convenção?); o Banquete (sobre o amor ao belo); Górgias (sobre a violência, faz a distinção entre a filosofia e a sofística) e o mais importante, A República, que é um tratado completo, onde expõe um sistema de governo e o modo vida ideal, e o como se chegar até eles. Esses diálogos são com certeza, um grande legado da filosofia e literatura, pois Platão elevou a filosofia também ao gênero literário.
A República começa com um sofista, Trasímaco, declarando que a força é um direito, e que a justiça é o interesse do mais forte. As formas de governo fazem leis visando seus interesses, e determinam assim o que é justo, punindo como injusto aquele que transgredir suas regras. Para responder a pergunta "Como seria uma cidade justa?" , Sócrates começa a dialogar, principalmente com Gláucon e Adimanto. Platão salienta que a justiça é uma relação entre indivíduos, e depende da organização social. Mais tarde fala que justiça é fazer aquilo que nos compete, de acordo com a nossa função. A justiça seria simples se os homens fossem simples. Os homens viveriam produzindo de acordo com as suas necessidades, trabalhando muito e sendo vegetarianos, tudo sem luxo. Para implantar seu sistema de governo, Platão imagina que se deve começar da estaca zero. O primeiro passo seria tirar os filhos das suas mães. Platão repudiava o modo de vida com a promiscuidade social, ganância, a mente que a riqueza, o luxo e os excessos moldam, típicos dos homens ricos de Atenas. Nunca se contentavam com o que tinham, e desejavam as coisas dos terceiros. Assim resultava a invasão de um grupo para o outro e vinha a guerra.
Platão achava um absurdo que homens com mais votos pudessem assumir cargos da mais alta importância, pois nem sempre o mais votado é o melhor preparado. Era preciso criar um método para impedir que a corrupção e a incompetência tomassem conta do poder público, Mas atrás desses problemas estava a psyche humana, como havia identificado Sócrates, Para Platão o conhecimento humano vêm de três fontes principais: o desejo, a emoção, e o conhecimento, que fluem do baixo ventre, coração e cabeça, respectivamente. Essas fontes seriam forças presentes em diferentes graus de distribuição nos indivíduos. Elas se dosariam umas às outras, e num homem apto a governar, estariam em equilíbrio, com a cabeça liderando continuamente. Para isso, é preciso uma longa preparação e muita sabedoria. O mais indicado, para Platão, é o filósofo: "enquanto os filósofos deste mundo não tiverem o espírito e o poder da filosofia, a sabedoria e a liderança não se encontrarão no mesmo homem, e as cidades sofrerão os males".
Para começar essa sociedade ideal, como dissemos, devem-se tirar os filhos dos pais, para protegê-los dos maus hábitos. Nos primeiros dez anos, a educação será predominantemente física. A medicina serve só para os doentes sedentários das cidades. Não se deve viver para a doença. Para contrabalançar com as atividades físicas, a música. A música aperfeiçoa o espírito, cria um requinte de sentimento e molda o caráter, também restaura a saúde.
Para Platão, a inspiração e a intuição verdadeira não se conseguem quando se está consciente, com a razão. O poder do intelecto está reprimido no sono ou na atenção que aflora com a doença. Ele então critica o controle da lei e da razão à certos instintos que ele chama de ilegais.
Depois dos dezesseis anos, e de misturar a música para lições musicais com a música pura, essas práticas são abandonadas. Assim os membros dessa comunidade teriam uma base psicológica e fisiológica. A base moral será dada pela crença em Deus. O que torna a nação forte seria Ele, pois ele pode dar conforto aos corações aflitos, coragem às almas e incitar e obrigar. Platão admite que a crença em Deus não pode ser demonstrada, nem sua existência, mas fala que ela não faz mal, só bem.
Aos vinte anos, chegará a hora da Grande Eliminação, um teste prático e teórico, Começa a divisão por classes da República. Os que não passarem serão designados para o trabalho econômico. Depois de mais dez anos de educação e treinamento, outro teste. Os que passarem aprenderão o deleite da filosofia. Assim se dedicarão ao estudo da doutrina e do mundo das Idéias.
O mundo das Idéias seria um mundo transcendente, de existência autônoma, que está por trás do mundo sensível. As Idéias são formas puras, modelos perfeitos eternos e imutáveis, paradigmas. O que pertence ao mundo dos sentidos se corrói e se desintegra com a ação do tempo. Mas tudo o que percebemos, todos os itens são formados a partir das Idéias, constituindo cópias imperfeitas desses modelos espirituais. Só podemos atingir a realidade das Idéias, na medida em que pelo processo dialético, nossa mente se afasta do mundo concreto, atravessando com a alma sucessivos graus de abstração, usando sistematicamente o discurso para se chegar à essência do mundo. A dialética é um instrumento de busca da verdade.
Platão acreditava numa alma imortal, que já existia no mundo das Idéias antes de habitar nosso corpo. Assim que passa a habitá-lo esquece das Idéias perfeitas. Então o mundo se apresenta a partir de uma vaga lembrança. A alma quer voltar para o mundo das Idéias. Um dos primeiros críticos de toda essa teoria de Platão foi um de seus alunos da Academia, Aristóteles.

Igualmente conhecida na República é a alegoria da caverna, que ilustra como percebemos apenas parte do mundo, reduzindo-o.
Um grupo de pessoas vive acorrentado numa caverna desde que nasceu de costas para a entrada. Elas vêem refletidas na parede da caverna as sombras do mundo real, pois há uma fogueira queimando além de um muro, depois da entrada. Elas acham que as sombras são tudo o que existe. Um dos habitantes se livra das amarras. Fora da caverna, primeiro ele se acostuma com a luz, depois vê a beleza e a vastidão do mundo, com suas cores e contornos. Ao voltar para a caverna para libertar seus companheiros, acaba sendo assassinado, pois não acreditam nele.
Depois de estudar a filosofia, aqueles que forem considerados aptos irão testar seus conhecimentos no mundo real, onde experimentarão os dissabores da vida, ganhando comida conforme o trabalho, experimentando a crua realidade. Aos cinqüenta anos, os que sobreviveram tornar-se-ão os governantes do Estado.
Todos terão oportunidades iguais, mas na eliminação serão designados para classes diferentes. Os filósofos-reis não terão nenhum privilégio, tendo só os bens necessários, serão vegetarianos e dormirão no mesmo lugar. A procriação será para fins eugênicos, o sexo não será apenas por prazer. Haverá defensores contra inimigos externos, os guardiões, homens fortes, dedicados à comunidade. Não haverá diferença de oportunidade entre o sexo, sendo cada um designado a fazer uma tarefa de acordo com a sua capacidade.
Platão fala da renuncia do individuo em prol da comunidade, impondo inúmeras condições para a vida. Ele atenta para um problema muito preocupante em nossos dias: a superpopulação. Os homens só poderiam se reproduzir entre os trinta e quarenta e cinco anos, e as mulheres entre os vinte e quarenta anos. Também a legislação de Esparta; que muito inspirou Platão, e a proposta de Aristóteles na Política leva em conta este aspecto. Assim, resumidamente seria o Estado ideal, justo. O próprio Platão fala de dificuldade em se fazem um empreendimento dessa natureza. Um rei ofereceu à ele terras para fazer sua República, ele aceitou, mas o rei ficou sabendo que quem iria governar eram os filósofos e mudou de idéia. Platão morreu em uma festa, onde se afastou num canto e dormiu. Quando foram, acordá-lo de manhã, já estava morto. Uma multidão acompanhou-o até o túmulo.
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